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Anorexia
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Anorexia

A anorexia é um distúrbio alimentar que provoca transtornos de ordem psicofisiológica.

Diferentemente do que se imagina, ela não se caracteriza pela perda do apetite mas pela recusa de ingerir alimentos e o medo obsessivo de ganhar peso.

O distúrbio aconteceria pela desordem primeira no campo psicológico, refletindo, consequentemente, em todo biológico humano.

Como todo distúrbio psicossomático é nomeado pela prática médica de "doença", podemos afirmar que a Anorexia é uma doença que pode atingir homens e mulheres de todas as idades no entanto, os registros mostram que mais de 90% acometem as mulheres na faixa de 10 a 20 anos. Essas jovens anoréxicas em fim da infância e início da adolescência podem sofrer atraso no surgimento da primeira menstruação (menarca).

Na visão psicossomática não existe a "doença", mas sim o "doente" nesse caso, a paciente anoréxica é alguém à beira da obsessividade em perfeccionismo e desejo de agradar em geral são jovens inteligentes, sensíveis, provenientes de famílias rígidas e fechadas nelas próprias, com dificuldade em expressar sentimentos e verdades na quase totalidade, essa "doente" tem relação interna conflituosa, quase patológica, com a figura materna. Existe nessa jovem, uma recusa em crescer, tentando conservar, inconscientemente, as formas infantis.

Esses transtornos têm origem nas questões que remontam à infância e a auto percepção da própria imagem. Uma imagem distorcida da realidade... embora a jovem esteja muito abaixo do seu peso mínimo, continue se vendo com excesso. A paciente precisa descobrir qual a necessidade que a anorexia está atendendo em sua vida...

Qualquer pessoa pode sentir-se impotente, sem controle, em muitos aspectos... mas, sempre poderá controlar o quê e o quanto come...dizendo "não" aos alimentos, ficando mais bonita pelo próprio esforço, ganhando reconhecimento, tendo um visual aceito, principalmente por aqueles que ela se importa.

Muitas das abordagens de tratamento psicoterápico, têm foco na ajuda à jovens com anorexia, a entenderem como seus próprios impactos de autoimagem, refletem em seu comportamento alimentar.

A autoimagem pode ser vista como uma base da mudança que a "anoréxica" precisa resolver, conscientizando-se de como a autoimagem inexata, pode ser devastadora.

As jovens anoréxicas, frequentemente perfeccionistas costumam ser boas filhas e se concentram em agradar a todos. Esforçam-se para fazer sempre o melhor, em tudo que fazem ainda assim, sua auto avaliação é extremamente rigorosa e, internamente, se consideram inadequadas, incapazes e impotentes.

Podem existir alguns fatores desencadeantes ou facilitadores para que a "doente" desenvolva uma anorexia:

Relação Parental (pai e mãe) controladores, críticos, rígidos com a aparência física, estética.

Predisposição Genética que, segundo pesquisas na área de neuropsiquiatria, a química do cérebro tem um papel significativo: Pacientes com anorexia, apresentam altos níveis de cortisol (hormônio do cérebro regulador do estresse) e uma baixa na serotonina e noradrenalina ( reguladores do prazer e satisfação).

Observa-se que quando uma jovem manifesta o desejo de fazer uma dieta porque quer usar as roupas da moda, como suas amiguinhas, pode ser uma atitude normal, absolutamente saudável esse comportamento não causa estranheza... .

Faz suas refeições na presença da família, lancha com as amigas, pois seu objetivo é de apenas controlar o peso. A autoestima dessa jovem não oscila conforme seu peso porque não está associada à imagem do seu corpo quer apenas ficar saudável, com a aparência moderna e bonita.

Mas, quando uma jovem não verbaliza seu desejo de fazer uma dieta... evita fazer refeições com a família...nega o lanche com as amigas...passa a dar extrema importância ao fato de perder peso, como a coisa mais importante da sua vida, de forma obsessiva...quando sua autoestima parece estar regulada pelo tanto de peso que possa perder, não importando por em risco a própria saúde, quando demonstra que a perda de peso sem limites é a única forma, realmente, de ser feliz...Estamos diante de um quadro patológico onde uma jovem "doente", sofrendo de uma coisa chamada anorexia, na tentativa de, através dela, controlar as emoções...a própria vida.

Observa-se que o pensamento obsessivo de "não engordar" não se reduz à medida que a jovem emagrece ao contrário, quanto mais perde peso, maior é o medo de engordar. Daí é que se configura a distorção da própria imagem corporal: não consegue se reconhecer magra, esquálida, como todo mundo a vê... e, essa valorização do "não se deixar engordar" pra ela, representa estar de posse do seu autocontrole.

Alguns teóricos falam da "busca da nova imagem" como uma necessidade de substituir a autoimagem, pela imagem corporal, quando a autoimagem é, prá ela, negativa...inadequada.

Segundo descrição do DSM IV, existem dois tipos de anorexia nervosa:

 1 - O Tipo Restritivo - Quando a jovem para perder peso, se utiliza de dietas rigorosas, jejuns e exercícios extenuantes

 2 - O Tipo Compulsão Periódica ou Bulímica - Quando a jovem se utiliza, com regularidade, das chamadas "purgações" que são vômitos provocados, dos laxantes ou diuréticos.

O primeiro e grande "desafio" com uma paciente anoréxica é convencê-la que está "doente" e, portanto, precisa de ajuda profissional.

Diz-se que é uma atitude desafiadora, porquanto essas jovens, na quase totalidade, não admitem ter qualquer tipo de problema, utilizando o que a Psicologia chama de "mecanismo de negação".

Para tratamento dessa psicopatologia é indicado uma equipe multidisciplinar composta de um psicólogo, um psiquiatra e um nutricionista.

O Psiquiatra, utilizando a terapia medicamentosa e exames clínicos, face algumas dessas manifestações: fraqueza (miastenia), fadiga musculares (astenia), debilidade mnemônica (memória), pele ressecada (xerodermia), inchaço (edema), prisão de ventre (obstipação), falta de menstruação (amenorreia), batidas lentas do coração (braquicardia), pressão baixa (hipotensão), etc.

O Nutricionista, utilizando a atuação óbvia por se tratar de um distúrbio alimentar. Associada à terapia com prescrição de medicação e complementos vitamínicos, uma dieta rica em vitaminas naturais e nutrientes que possam repor as carências nutricionais.

O Psicólogo, uma vez que o paciente anoréxico é portador de grave desequilíbrio emocional, transtorno comportamental, baixa autoestima, distorção de autoimagem corporal, mecanismos de negação, pensamentos desadaptativos, crises de impotência psíquica, ego fragilizado, incapacidade de verbalizar sentimentos (alextimia).

O Psicólogo pode utilizar as mais variadas técnicas e diferentes abordagens, no tratamento do paciente anoréxico no entanto, dado à emergência e brevidade na resposta, a utilização da TCC (Terapia Cognitiva Comportamental) tem sido eficaz, compreendida facilmente e indicada por todas as especialidades médicas.

A TCC é a teoria que representa a terapia cognitiva, que melhor descreve a maneira como representamos a realidade ativamos motivações, emoções e processos cognitivos associados que, influenciam as nossas ações, determinado pela forma como interpretamos aspectos da nossa realidade, dessa nossa interpretação, dependem nossas reações emocionais que nos induzirão a tomar diferentes cursos de ação.

Ao longo de nossas histórias de vida, formamos diferentes estruturas de significado, que a TCC chama de "esquemas" que por sua vez influenciarão a maneira como interpretaremos a realidade e formaremos novos esquemas.

A terapia cognitiva afirma que os esquemas disfuncionais resultantes desta história de vida são comuns a todos os transtornos psicológicos e que a transformação destes esquemas, pode modificar o comportamento de uma pessoa.

Ao longo do processo, várias combinações de técnicas psicoterápicas podem ser utilizadas.

 No caso de adolescentes anoréxicos é extremamente importante a indicação de uma terapia familiar.

O objetivo da utilização da TCC é levar o paciente anoréxico a identificar seus padrões disfuncionais de pensamentos, atitudes e crenças distorcidas que vem trazendo ao longo da vida, desde a infância.

No "setting psicoterapêutico" deverão ser traçadas várias "metas". À medida que a compreensão vai ganhando espaço (parte cognitiva), as mudanças irão acontecendo, aos poucos, vão sendo identificados os pensamentos distorcidos e se delineando uma autoimagem que cada vez mais se distancia dessa falsa, negativa e destrutiva, ainda que esteja longe de se aproximar da real.

Mas, o mais importante é a desconstrução da autoimagem atual.

Outra conscientização também importante é compreender que o ato de se alimentar vai muito além da necessidade puramente fisiológica na verdade, está associado a significados afetivos e emocionais.

Daí a importância da terapia familiar, onde se entende, numa visão psicossomática, que corpo e mente forma uma unidade desde o primeiro minuto de vida, numa estreita relação entre alimentação e afetividade.

O Psicólogo precisa estar atento nessa "contribuição familiar" uma vez que esses trazem igualmente pensamentos, ideias, crenças e atitudes disfuncionais e, não causarão surpresa essas condutas familiares se, algumas vezes, colocarem em risco a confiança e o vínculo paciente x terapeuta.

É importante que os pais também identifiquem suas responsabilidades nesse distúrbio alimentar. Fazê-los compreender que essa figura de "pais perfeitos" é utópica que mesmo não acertando sempre, não desejaram errar e a boa intenção não pode ser ignorada Que a filha anoréxica é parte do passado e que todo passado, quando "passado a limpo", vira história e assim como deu errado no aspecto alimentar, poderia ter sido em outro que o importante mesmo é o momento presente e o que a família pode fazer agora, para ajudar.

É preciso que os pais entendam que são peças fundamentais nesse processo e, que a recuperação física da filha, depende do seu equilíbrio emocional.

À medida que estiverem conscientes do que fizeram e do que hoje, de positivo, estão fazendo estarão livres da culpa.

Os pais de uma paciente anoréxica devem adotar algumas medidas colaborativas: . Devem demonstrar com atitudes e verbalizar o quanto a amam e respeitam

Devem se despir da culpa para não colocar a filha no papel de "coitadinha" e não se sentir vitimizada

Devem dizer, quantas vezes for preciso, que respeitam seus gostos, suas ideias, seu jeito de ser, ainda que diferentes dos seus

Devem evitar todas as formas de "perfeccionismo"

Devem oportunizar a filha a responsabilidade por sua própria mudança, sem cobranças 

Tentarem ser verdadeiros, honestos, confiáveis...ela perceberá!

Devem dedicar parte do tempo para sentar, conversar, olhar nos olhos, facilitar o toque e o contato físico e confessar sinceramente, o quanto a amam e querem ajudar 

Devem evitar fazer críticas ou acusações ainda que sob o pretexto de brincadeira ou boas intenções 

Devem evitar comentários sobre os alimentos, da importância desse ou daquele, para a saúde dela

Não pensem em manipulá-la com recompensas ou castigos para o "bem dela"

Se desejarem tratar algum assunto, para o qual não se sentem seguros adiem.

Deixem-no para ser abordado na terapia.

À medida que vão depositando nela a responsabilidade pelo seu tratamento, vai se tornando mais independente, mais madura e, aos poucos se desligando da autoimagem infantil.

Há uma recomendação tão importante quanto as demais:

Não fiquem preocupados em serem perfeitos...

Não tenham medo de errar...

Não reprimam uma iniciativa por julgá-la inadequada...

Deixem que o coração oriente mais do que a razão...

Não ignorem uma intuição, na maioria das vezes ela é o acerto que dispensa explicação...

Mostrem-se, sem medo, para sua filha deixem que ela descubra que vocês tanto quanto ela, são humanos, passíveis de erros e enganos...

Falem de "verdades"...contem suas histórias de falhas, medos e indecisões...

Aceitem e permitam-se aceitar...nem melhor nem pior, exatamente como são...

Deixem que ela perceba que é possível dar um passo à frente e retroceder e que, algumas vezes, para seguir em frente é preciso conhecer o caminho atrás. E assim, quem sabe, fica mais fácil falar de amor..

Resultado de imagem para anorexia

FONTE: Dra. Angela Corrêa (Psicóloga Clínica)
publicado em 15/06/2018 19:36:00

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Comentários do artigo

sweet em 04/06/2018 19:34:00

Incrível! Impressionante perceber que o ato de se alimentar pode estar tão intimamente ligado a fatores emocionais. Isso pode trazer a pessoa a extremos como a anorexia ou a compulsão alimentar. Entendo que as duas precisam de acompanhamento com terapia.

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Vehuel-rj em 21/06/2018 18:38:00

Ótimo artigo! O assunto é muito sério.

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