Clube da Maturidade

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Antes mal acompanhada do que só?!

20/05/2018 · vida a dois · Dra. Angela Corrêa (Psicóloga Clínica)

Antes mal acompanhada do que só?!

Ilustração criada pelo Clube da Maturidade

No entanto, tais características comportamentais que demonstraram ser tipicamente femininas, parecem não ter ficado integralmente no passado, como possamos imaginar. Sabe por quê? Porque aquelas mulheres continuam aqui entre nós, em nova versão. Elas podem ser uma de nós, numa caricatura moderna, independente, competitiva, sensual. Porém, como toda caricatura, conserva alguns traços que revelam semelhança com aquela mulher do passado.

Observamos, na prática, ainda hoje, o quanto a expressão pode ser usada com a mesma propriedade que no passado encontramos um número surpreendente de mulheres escolhendo casar ou conviver intimamente com parceiros que nada têm a ver com elas, nada possuem para lhes oferecer além da falsa ilusão de companheirismo. Falsa porque o autêntico companheiro é aquele que oferece presença, solidariedade, dá compreensão e carinho, está naturalmente atento às dificuldades e carências e valoriza o diálogo. Ao contrário de qualquer atitude que seja interpretada como um gesto de amor, esse "companheiro" é alguém grosseiro, egoísta, destrutivo, violento, insensível e, ainda assim, é ao lado dele que essa mulher, da qual falamos, escolhe querer estar incondicionalmente.

O que se percebe é o imenso conflito de emoções de uma mulher que parece conhecer muito bem esses sentimentos de hostilidade.

Se por um lado, dói reconhecer o desamor, por outro, descobre a identidade que tem com essas sensações e não lhe parece tão desconfortável, embora saiba que não dá para ser feliz. Mas, quanto mais for complicado e difícil romper com essa relação, mais características de conflitos antigos parecem conter. Esses relacionamentos conflitados refletem uma infância onde, provavelmente, tenha sido exigido muito esforço para ser amada, protegida, valorizada e, através de um relacionamento desses, a mulher tenta, inconscientemente, resgatar ferimentos antigos, tentando, de volta, a oportunidade de cicatrizá-los. Esse homem, simbolicamente, representa a falta, a indiferença, a rejeição de uma experiência bastante familiar e qualquer tentativa de rompimento com essa dor emocional envolve a ameaça de sentir-se remetida a um lugar da infância que conhece tão bem e do qual tem um medo intenso que é o de ficar só e reviver um sentimento antigo de abandono.

 

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Comentários do artigo

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Iane
Iane em 23/07/2026 19:02

O lema onde gostaria de me situar atualmente é "antes acompanhada e bem acompanhada". Porém, é preciso estar curada de fantasmas do passado, conhecer bem a si mesma e ter muita consciência do que quer, mas principalmente do que e de quem não quer na sua vida.

Suninha
Suninha em 22/07/2021 22:24

Se uma pessoa não tem amor próprio nunca conseguirá amar ninguém. Quando nos relacionamos é para multiplicar não somente somar. Feridas antigas estão aí para nos lembrar de não fazermos igual.

Téia
Téia em 26/10/2020 16:12

As vezes o medo de ficar só é maior

LICE
LICE em 09/01/2019 18:30

"Melhor só do que mal acompanhada" ainda está com a vigência garantida para algumas mulheres, que ainda não acordaram para a vida. A mulher atual, principalmente aquelas com independência econômica e emocional, não são adeptas do "ruim com ele pior sem ele". Querem um companheiro sim, mas um companheiro compatível, que as valorize e respeite, caso contrário, sem dúvida, que é possível ser feliz sózinha!

LuStar
LuStar em 13/06/2018 10:04

Faço parte das que preferem ficar só (com seus sonhos e sua esperança) do que mal acompanhada por alguém que não te respeita, não te ama, não vibra na mesma sintonia.

LICE
LICE em 09/01/2019 20:37

Desconsiderem o 1º parágrafo do comentário abaixo. O correto é "Melhor só do que mal acompanhada tem vigência garantida para as mulherres que já acordaram para a vida..."

Amélia
Amélia em 14/09/2020 19:14

chorar , de pé sozinha de boa , mais mal acompanhada e de joelhos nunca,